B - ÊXODO - SEGUNDA PARTE - 16,1-36

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B - ÊXODO - SEGUNDA PARTE - 16,1-36

Mensagem  Admin em Ter Set 20, 2011 10:10 am

2º Encontro: Partilhar para vencer a fome

O texto base do encontro: Êxodo 16,1-36

Alimento e descanso para todos -* 1 Toda a comunidade de Israel partiu de Elim e chegou ao deserto de Sin, entre Elim e o Sinai, no dia quinze do segundo mês após a saída do Egito. 2 Toda a comunidade de Israel murmurou contra Moisés e Aarão no deserto, 3 dizendo: «Era melhor termos sido mortos pela mão de Javé na terra do Egito, onde estávamos sentados junto à panela de carne, comendo pão com fartura. Vocês nos trouxeram a este deserto para fazer toda esta multidão morrer de fome!»
4 Javé disse a Moisés: «Farei chover pão do céu para vocês: o povo sairá para recolher a porção de cada dia, para que eu o experimente e veja se ele observa a minha lei, ou não. 5 No sexto dia, porém, eles deverão preparar o que recolheram, e será o dobro do que recolhem nos outros dias».
6 Então Moisés e Aarão disseram a toda a comunidade de Israel: «À tarde vocês saberão que foi Javé quem os tirou do Egito. 7 E, pela manhã, vocês verão a glória de Javé, porque Javé ouviu as murmurações que vocês fizeram contra ele. Quem somos nós, para vocês murmurarem contra nós?» 8 Moisés disse mais: «Esta tarde, Javé dará carne para vocês comerem e, pela manhã, pão com fartura, pois ele ouviu a murmuração que vocês fizeram contra ele. Quem somos nós? As murmurações de vocês não são contra nós, e sim contra Javé».
9 Moisés disse a Aarão: «Diga a toda a comunidade de Israel: ‘Aproximem-se de Javé, pois ele ouviu as murmurações que vocês fizeram’ «. 10 Enquanto Aarão falava para toda a comunidade de Israel, olharam para o deserto e viram que a glória de Javé aparecia numa nuvem. 11 Javé falou a Moisés: 12 «Eu escutei as murmurações dos filhos de Israel. Diga-lhes que comerão carne à tarde e, pela manhã, se fartarão de pão. Assim ficarão sabendo que eu sou Javé seu Deus».
13 À tarde, um bando de codornizes cobriu todo o acampamento e, pela manhã, havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento. 14 Quando a camada de orvalho se evaporou, na superfície do deserto apareceram pequenos flocos, como cristais de gelo. 15 Ao verem, os filhos de Israel perguntaram: «Que é isso?» Porque não sabiam o que era. 16 Moisés disse-lhes: «Isso é o pão que Javé lhes dá para comer. E são estas as ordens de Javé: Cada um recolha o quanto lhe basta para comer: quatro litros e meio por pessoa, conforme o número de pessoas que se achem na sua tenda.
17 Os filhos de Israel assim fizeram: uns recolheram mais, outros menos. 18 Quando mediram as quantias, não sobrava para quem havia recolhido mais, nem faltava para quem havia recolhido menos. Cada um tinha recolhido o que podia comer.
19 Moisés então lhes disse: «Ninguém guarde para a manhã seguinte». 20 Mas eles não deram ouvidos a Moisés, e alguns o guardaram para o dia seguinte. Porém, criou vermes e apodreceu. Por isso, Moisés ficou indignado contra eles. 21 A cada manhã eles colhiam o quanto cada um podia comer, porque o calor do sol o derretia. 22 No sexto dia, recolhiam o dobro: nove litros para cada um. E todos os chefes da comunidade informaram a Moisés. 23 E Moisés falou: «É exatamente isso que Javé ordenou: amanhã é sábado, um descanso completo reservado a Javé. Cozinhem o que quiserem cozinhar e fervam o que quiserem ferver; separem o que sobrar e reservem para o dia seguinte». 24 Eles fizeram a reserva até o dia seguinte, conforme Moisés tinha ordenado. E dessa vez não apodreceu nem criou vermes. 25 Então Moisés disse: «Comam hoje, porque hoje é um sábado de Javé. Hoje vocês não encontrarão alimento no campo. 26 Recolham durante seis dias, pois no sétimo, que é sábado, não o encontrarão». 27 No sétimo dia, alguns do povo saíram para o recolher, mas não encontraram nada. 28 Javé disse a Moisés: «Até quando vocês se negarão a observar meus mandamentos e leis? 29 É Javé quem lhes dá o sábado, e é por isso que ele, no sexto dia, lhes dará pão para dois dias. Cada um fique onde está. Ninguém saia do seu lugar no sétimo dia». 30 E no sétimo dia o povo descansou.
31 A casa de Israel deu-lhe o nome de maná: era branco como a semente de coentro, e seu sabor era como bolo de mel. 32 Moisés disse: «Esta é a ordem de Javé: conservem quatro litros e meio para que as gerações futuras possam ver o pão com que eu os alimentei no deserto, quando os tirei do Egito». 33 Moisés disse a Aarão: «Pegue uma vasilha, coloque nela quatro litros e meio de maná, e coloque-a diante de Javé, a fim de o conservar para as gerações futuras». 34 Conforme Javé tinha ordenado a Moisés, Aarão o colocou diante do Testemunho, para que fosse conservado.
35 Os filhos de Israel comeram maná durante quarenta anos, até chegarem à terra habitada. Comeram maná até chegarem à fronteira de Canaã.

Algumas questões respondidas no texto:
1) Com que Deus alimenta o povo no deserto?
2) Quais as recomendações de Deus para o povo e como o povo reage?
3) O que este texto diz para nós diante da ganância de ter sempre mais?

A caminhada no deserto é uma caminhada educativa. Trata-se de um aprendizado passo a passo para vencer o esquema de escravidão que entrou na vida do povo e permitir uma vida nova na liberdade. É Deus quem guia o seu povo no deserto, Ele é quem define a rota (cf. Ex 17,1). Na travessia o povo reclamou da falta de pão e de carne. Na verdade, o povo não estava morrendo de fome. O povo reclama a panela de carne do Egito, reclama o pão com fartura (cf. Nm 11,4 e Sl 78 / 77, 30). Não se tratava tanto de uma necessidade, mas uma saudade do que ficou para trás, no esquema da escravidão. Deus atende o povo, mas quer que ele aprenda uma lição.
O povo ainda duvida da presença de Deus naquela travessia. Moisés é acusado de levar o povo à morte no deserto. “No Egito, nós estávamos melhor” (Nm 11,18). Diante das murmurações pela falta de pão e carne, Deus envia o maná e as cordonizes. Promete carne ao cair da tarde e pão pela manhã. Deus alimenta seu povo como uma mãe alimenta seus filhos.
Porém, o povo deve recolher apenas o necessário para cada dia. É o pão cotidiano. O povo deve vencer o esquema do Faraó que ainda está dentro de cada um. Precisa aprender a não acumular. A cada dia Deus fornece o pão para o seu povo. O povo é posto à prova. Quem tentava acumular via que o maná que era guardado gerava vermes e apodrecia (cf. Ex 16,20). A reserva só poderia ser feita na véspera do Dia do Senhor (o Sábado), pois, o povo livre também tem direito ao descanso (cf. Ex 16,22-30), o que não era permitido no Egito.
O Maná recebe grande atenção neste texto. Maná é o Pão da Igualdade. Assim, quem recolhia mais, na hora de medir, tinha o mesmo tanto de quem tinha recolhido menos. Cada um tinha em mãos a porção necessária para atender à sua necessidade. Um gomor era a medida necessária para cada família (média de 4,5 litros). O Maná, um pequeno grão branco e redondo aparecia todas as manhãs. Isso aconteceu durante toda a travessia do deserto até a chegada na Terra Prometida. Aí, depois de celebrarem a Páscoa e de comerem os frutos da Terra, no dia seguinte, cessou o maná (cf. Js 5,10-12).
A tendência a acumular parece morar dentro de nós. O acúmulo dá uma idéia de “segurança”. Pensamos muito em nós mesmos e pouco nos outros. A caminhada no deserto é para ensinar o povo a ter outro modo de proceder na terra prometida. Era preciso mudar cabeça, coração e atitudes. O povo estava saindo do Egito, mas era preciso também tirar o Egito da cabeça do povo. Não é sem motivos que a travessia do deserto dura 40 anos. Assim, saber partilhar, aprender a contentar-se com o necessário para cada dia, não ceder ao supérfluo é um caminho de conversão que temos de trilhar.
Neste sentido, como está a devolução do dízimo em nossas comunidades. Temos conseguido exercer as suas três dimensões: Comunitária, Missionária e Social? Como usamos os bens que estão ao nosso alcance: mais preocupados em gerar vida ou em acumular? Não nos esqueçamos: a partilha faz vencer a fome.
Vale lembrar a Verbum Domini nº 103 (...) “Deste modo o amor do próximo, radicado no amor de Deus, deve ser o nosso compromisso constante como indivíduos e como comunidade eclesial local e universal. Diz Santo Agostinho: «É fundamental compreender que a plenitude da Lei, bem como de todas as Escrituras divinas, é o amor (…). Por isso quem julga ter compreendido as Escrituras, ou pelo menos uma parte qualquer delas, mas não se empenha a construir, através da sua inteligência, este duplo amor de Deus e do próximo, demonstra que ainda não as compreendeu»”.
Pergunta para o aprofundamento: O que fazer para reforçar o senso de partilha e evitar o acúmulo desenfreado em nossas comunidades?

Para aprofundar o texto de Ex 16,1-36: Vencer a Fome. As codornizes e o maná
Saudades do tempo do Egito

Reaparece o grupo da murmuração. Este grupo esta sempre pronto a desestimular o caminho para a libertação. Sentem saudades do passado vivido no Egito. O grupo presente em 15,24 reaparece com mais força e influência toda a comunidade dos filhos de Israel.
Qual é o problema da murmuração? Aparece agora à falta de alimento e eles murmuram contra Moises.
"Antes fossemos mortos pela mão de Iahweh na terra do Egito, quando estávamos sentados junto às panelas de carne e comíamos pão com fartura! Certamente nos trouxeste para este deserto para fazer toda esta multidão morrer de fome." (Ex 16,3)
Parece que a murmuração não seja tão verdadeira, pois na escravidão não teriam nem acesso as panelas de carne e uma alimentação abundante. Moises se defende afirmando "não são contra nós as vossas murmurações é sim contra Iahweh" (Ex 16,Cool.
Na resposta deste problema, junto com o alimento que Deus envia para saciar a fome aparecem duas temáticas de importância: o sábado e os mandamentos. A narrativa também apresenta o fato que o maná não poderia ser acumulado, de um dia para outro, pois apodreceria. Deveriam recolher somente a quantidade suficiente, Deus estaria providenciando uma alimentação farta, durante toda a travessia. Ainda esta situação se contrapõe a falta de alimento no Egito, junto com a escravidão e o povo agora tem um dia de descanso, que no Egito não existia. A questão da lei aparece aqui ligada ao sábado, ao descanso. Não é lei opressora, que escraviza, mas que conduz a libertação.
Portanto a murmuração pela falta de alimento e a questão do descanso entram no texto como ensinamento divino ao povo para que veja que a volta ao regime de escravidão tiraria novamente deles a liberdade e a autodeterminação.
O texto nos ensina duas lições:
1) o recurso da natureza (representado no maná) é para ser usado, não abusado e estragado; é suficiente mas não objeto de ganância; caso contrario o produto apodrece. Ensina-nos o texto a vivencia da partilhar e da fraternidade. A vida será boa para todos se não existir "donos" do supérfluo.
2) Para guardar o sábado dever-se-ia colher em dobro na sexta feira. O sábado surge como instituição de preceito Homem e natureza observam (caso do maná) O ensinamento de Jesus nos evangelhos sobre a observância do sábado nunca cansa de mostrar este aspecto.
Lembrando o texto base da CF 2011, os recursos do planeta estão simbolizados no uso do maná. Mesmo a questão ecológica quando esta sendo usada de forma egoísta estragam a vida. Deus pensou a humanidade como uma grande família, que se cuida, e não vive de forma egoísta. A questão do sábado contrapõe o regime de escravidão do Egito, intercalando na existência ritmos de descanso. Não só de trabalho vivemos: precisamos de pausas, reflexão e convívio familiar. O sábado assim é visto muito mais como descanso e aproximação do Senhor do que uma obrigação.

Questões e dúvidas na busca do alimento na caminhada de hoje:
Comunidade: Como educamos a comunidade para o uso fraterno e responsável dos bens planeta?
Catequese: Levamos as crianças da catequese a percepção que as leis de Deus nos ajudam a viver melhor?
Campanha da Fraternidade: Já descobrimos o fio condutor que ajuda a ligar a C.F com o mês da Bíblia

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